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Entrega do prémio Vasco Vilalva
Discurso do Senhor D. Joaquim Mendes, em representação do Senhor Cardeal-Patriarca
Senhor Dr. Elísio Summavielle, Secretário de Estado da Cultura, em representação da Senhora Ministra da Cultura
Senhor Dr. Rui Vilar, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
Senhor Pintor Manuel da Costa Cabral, Presidente do Júri do Prémio Vasco Vilalva
Senhora Drª Simonetta Luz Afonso, Presidente da Assembleia Municipal da CML
Senhora Vereadora Drª Catarina Vaz Pinto, em representação do Senhor Presidente da CML
Senhora D. Maria Filomena Lobo, Presidente da Junta de Freguesia do Sacramento
Senhora Condessa de Vilalva
Reverendíssimo Senhor Cónego Armando Duarte, Prior desta comunidade cristã
Senhor Dr. José António da Cunha Coutinho, Presidente da Assembleia Geral da Irmandade do Santíssimo Sacramento
Meus Senhores e minhas Senhoras
1 - Esta igreja da Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento fruto da generosidade e testemunho de fé dos nossos antepassados é uma herança recebida que temos o dever de preservar. Faz parte do património histórico-cultural da Igreja.
A grandeza e beleza deste templo representam a aspiração profunda dos membros da Irmandade que promoveram a sua construção e ofereceram a Deus o melhor daquilo que foram capazes de criar; é expressão da sua fé e da sua devoção ao Santíssimo Sacramento.
O património eclesiástico é expressão da criatividade humana e da devoção religiosa, por isso ele contém em si próprio um valor artístico inseparável de uma convicção de fé; nasceu de um encontro fecundo entre a inspiração religiosa e a inspiração estética; manifesta a conaturalidade que existe entre o esplendor da arte e as expressões da fé, como expressão comunitária e pública.
2 - Por isso, o restauro desta igreja, permitindo afectar ao culto divino aquilo que para o culto foi criado, respeitando o primado de Deus, que ela representa, e a memória histórica dos antepassados, impunha-se como um dever, que o Cónego Armando Duarte e a Real Irmandade corajosamente assumiram como um grande desafio, com grande fé em Deus e confiança na generosidade dos homens.
Foi possível iniciar esta obra graças a uma pequena indemnização do Metro de Lisboa (180 mil euros). A generosidade dos fiéis tem permitido que iniciada a obra ela ainda não tenha parado.
O Prémio Vasco Vilalva, constitui não só uma valiosa ajuda, bem como uma recompensa para os seus esforços de quem empreendeu a obra, e ainda um estímulo para todos os benfeitores, já que o restauro da igreja está longe de estar concluído.
3 - Neste momento, em nome do senhor Patriarca, do Pároco, da Irmandade e da comunidade cristã, queria agradecer:
- Ao senhor Dr. Rui Vilar, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian e ao Pintor Manuel da Costa Cabral, Director do Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, a atribuição do Prémio Vasco Vilalva para Recuperação e Valorização do Património, instituído em memória do Marquês de Vilalva, cuja viúva, a senhora Condessa de Vilalva, aqui presente, saúdo especialmente;
- Agradecer à Empresa «Junqueira 220» o empenho e a qualidade posta no restauro, elemento decisivo para a atribuição do Prémio. Porém, esse trabalho não teria sido possível se não houvesse um projecto para a reabilitação da igreja, de autoria do Arquitecto Pedro Mariguesa; se a empresa Simolatina não tivesse reconstruído o telhado da igreja; se a empresa Ampermax não tivesse executado a iluminação do tecto, que, sendo embora provisória, muito valoriza o restauro, sobretudo nos dias cinzentos como nestes dias de inverno.
- Agradecer e felicitar a Irmandade do Santíssimo Sacramento, na pessoa do Presidente da Assembleia Geral, senhor Dr. José António da Cunha Coutinho, bem como o Pároco, Cónego Armando Duarte, pelo empreendimento que tem sido levado a cabo sem apoios de entidades públicas e em tempo de “crise”.
Em 2002, foi elaborado, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, um programa para a recuperação das igrejas paroquiais do Centro Histórico de Lisboa. Previa-se que a recuperação das igrejas situadas dentro da área de intervenção do Fundo Remanescente da Reconstrução do Chiado, fossem comparticipadas pelo Fundo; as outras igrejas fossem apoiadas directamente pela Câmara de Lisboa.
Este plano foi cumprido em relação a todas as igrejas (basílica dos Mártires e igrejas da Encarnação, Santa Catarina, São Nicolau, Santa Maria Madalena e, além destas paroquiais, a igreja da Conceição Velha), mas esta, a igreja do Santíssimo Sacramento, foi excluída, porque quando o plano de recuperação já estava aprovado, foi extinto o Fundo Remanescente da Reconstrução do Chiado.
- Agradecer à Câmara Municipal de Lisboa, aqui representada pela senhora Drª Simonetta Luz Afonso, Presidente da Assembleia Municipal e pela senhora Vereadora Drª Catarina Vaz Pinto, do Pelouro da Cultura, a aprovação do projecto e o licenciamento gratuito da obra.
Contudo, perante o esforço da comunidade e a importância da recuperação para a valorização do Chiado, atrevemo-nos a pedir à Câmara o seu apoio, nomeadamente para arranjo do exterior da igreja.
- Agradecer à Senhora Ministra da Cultura, na pessoa do senhor Secretário de Estado, Dr. Elísio Summavielle, o ter considerado de interesse cultural o projecto de reabilitação e restauro da igreja do Sacramento, o que abriu as portas aos benefícios fiscais previstos na Lei do Mecenato para as empresas que aceitassem ser mecenas da obra, benesse até ao presente pouco aprovada, já que as empresas não arriscam na partilha em tempo de crise. São excepção as empresas Cimpor, Metropolitano de Lisboa, Luvirep e a Schréder Iluminação, num total de donativos que não vai além dos 70 mil euros.
- Como tem dito repetidas vezes o Prior e Juiz da Irmandade do Santíssimo Sacramento esta obra não se justificaria se apenas estivessem em causa as necessidades pastorais da Igreja – há muitas igrejas e pouca população residente nesta zona da cidade. O amor à cidade já justificaria este esforço, dada relevância artística do edifício, valorizado pela sua inclusão no Chiado. Contudo, o factor mais determinante é o Divino Orago desta Paróquia: o Santíssimo Sacramento.
Que diriam os nossos vindouros se lhes legássemos em ruínas uma igreja dedicada ao Santíssimo Sacramento, centro da fé cristã e profundamente enraizado no coração dos crentes e nas populações das cidades de Portugal, cuja expressão visível são as manifestações públicas na Festa do Corpo de Deus?
Por isso vale a pena todos os esforços para devolver aos vindouros e à cidade este espaço sagrado, para desfrutarem da sua beleza, honrar o Santíssimo Sacramento e celebrar a sua fé.
Bem hajam e obrigado pela vossa colaboração e pela vossa presença.
+ Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa
Lisboa, 10 de Janeiro de 2011
Pedido de Apoio Mecenático
Cónego Armando Duarte

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