A Obra
O QUE FOI FEITO*
1. No início do Julho de 2007, a título de compensação pelos danos causados no edifício pelo prolongamento do Metropolitano, a Irmandade recebeu do Metro cerca de € 178.049,00 que decidimos aplicar imediatamente:
- no projecto de restauro e reabilitação da igreja, que confiámos ao Arqº Pedro Mariguêsa;
- no arranjo do telhado da igreja.

Igreja do Sacramento
2. O telhado aparecia, de facto, como a obra mais urgente: das salas do tardoz da igreja apenas estava utilizável a sacristia do lado norte, embora o estuque começasse a ceder às infiltrações das águas pluviais vindas da sala de cima cujo tecto havia ruído; estavam em idêntico estado as salas do lado sul onde, por questões de segurança, a electricidade estava desligada; o soalho das salas superiores parecia irremediavelmente perdido, bem como a maior parte das janelas e dos umbrais das portas e das janelas.
3. Na igreja, apesar das evidentes infiltrações e faltas de estuque - o tecto foi pintado por Pedro Alexandrino de Carvalho - a situação só não era mais gravosa porque o madeiramento do telhado se mantinha intacto, o que não acontecia na parte mais recuada do edifício, onde ruiu o próprio madeiramento de suporte das telhas.
4. Quem nos perdoaria se, dispondo de verba suficiente, deixássemos passar mais um Inverno sem estancar os danos que as águas das chuvas, há anos, mas cada vez mais aceleradamente, vinham causando ao riquíssimo património edificado?
5. Além do telhado foi reconstruída a pequena torre sineira, o patim da Cruz e as paredes da parte mais alta do edifício, ou seja, da cobertura do trono e das salas referidas no nº 2; foi ainda substituído o madeiramento que havia cedido (cerca de 20% do total), bem como os algeroz e canaletes, executados em chapa de zinco conforme o previsto na para a reabilitação dos edifícios antigos; foi também limpo o forro do telhado, onde se encontraram as balaustradas do presbitério e altares laterais da igreja, das quais, mesmo as pessoas mais velhas, não tinham memória de ver colocadas na igreja.
6. Nesta primeira fase dos trabalhos, enquanto decorriam as obras no telhado, as balaustradas foram cuidadosamente restauradas e colocadas.
7. Terminadas as obras referidas nos nºs 5 e 6, dispondo ainda de uma pequena verba, começámos a refazer o espaço referido no nº 2.
8. O que foi feito:
- Refez-se a instalação eléctrica, prevendo já um novo projecto de electricidade para a igreja;
- foram criteriosamente refeitos, conforme o original, os tectos das salas sul e norte, por cima das sacristias, bem como os da arrecadação anexa à sala sul e os do hall anexo à sala norte;
- foi reposto o estuque que havia caído do tecto da sacristia norte;
- foram refeitas ou, quando isso não era possível, executadas de novo, as janelas, portadas e umbrais das portas e janelas;
- foram recolocados os azulejos em falta e, nalguns casos, retirada a tinta que os escondia;
- foi recuperado o soalho da sala da tribuna do lado norte; por estar irremediavelmente perdido, na sala sobre a sacristia sul foi colocado um novo soalho; no espaço que liga, passando por detrás do presbitério, a sacristia norte à sacristia sul, foram substituídos os tacos de madeira (relativamente recentes mas todo cheio de bicho) por soalho idêntico ao aplicado na sala da tribuna;
- nas arrecadações anexas a ambas as sacristias aproveitaram-se as pias de despejo aí existentes para a construção de duas casas de banho, um para o serviço da sacristia (anexo à sacristia sul), outro anexo à sacristia norte onde funcionará, quando necessário, a capela mortuária;
- nos anos 60, na sacristia norte, a parte inferior das paredes, foi revestida por azulejos de muito mau gosto, e a parte superior marmoreada por um mau especialista; substituíram-se agora os azulejos existentes por outros, mais discretos, da “Viúva Lamego”, e preparam-se as paredes para a intervenção dos técnicos de restauro;
- as paredes do pequeno corredor que liga a sacristia sul à igreja foram picadas e de novo rebocadas com o mesmo material com que foram tapados os roços da parte eléctrica.
* Relatório entregue a 15 de Setembro de 2008 na Unidade de Projecto da Baixa-Chiado